Alana Soares - Caderno Cultural
A saudade e a memória de um Cariri que desapareceu
Cariri das Antigas completa 5 anos com acervo de 9 mil fotos
date_range27/01/2019 às 11:15

Padre Cicero recebendo romeiros em sua residência, 1920 (Acervo Renato Casimiro, Daniel Walker/Cariri das Antigas)

Todos os dias uma lembrança, um suspiro, um alento. A imagem da velha cidade, da velha rua, do velho prédio que marcou gerações e fez história em grandes e pequenos detalhes voltam à vida através do projeto Cariri das Antigas (CdA), que se aproxima dos 5 anos ultrapassando acervo de 9.000 fotografias.

É uma rua de pedra que hoje é asfalto para carros; uma praça que se foi; um cinema que virou estacionamento; um velho bar que que desapareceu. E nós, descendo a timeline, nos encontramos encantados com este passado tão recente e tão distante.

O quanto Juazeiro mudou. E o Crato era assim? A feira de Missão Velha na rua principal era viva. A água limpa do volumoso Rio Salgado ficou conservado naquela foto em Lavras para mostrar às gerações futuras o que destruímos.

Mas não apenas isso. Mais do que um significativo acervo fotográfico compartilhado, o projeto se tornou sinônimo de informação bem apurada sobre um Cariri sem memória graças à perseverança de Roberto Júnior, historiador prodígio.

E a missão cresceu na medida em que o projeto alcançou mais pessoas. Hoje são 20.000 na fanpage do Facebook, mais de 4.000 no Instagram e quase 3.000 no YouTube.

A causa patrimonial tomou forma com o "Memórias Edificadas" e o projeto passou a denunciar a especulação imobiliária e a derrubada de prédios históricos, como o Casarão de Juvêncio Santana, posto abaixo em 2018.

Nas palavras de Roberto Júnior, "nem o conhecimento estagnado na mão de poucas pessoas nem os saberes da nossa região escondidos servem para nada". E por isso divulga "para aprendermos com ela". 

"Servimos para mostrar como o patrimônio material fala de nós mesmo, de nossa formação. Isso inclui o sentimento de pertencer a um local e manter a história viva", defende.

 

Calçadão da rua Santa Luzia, em Juazeiro do Norte

 

Barragem do Rio Salgado, em Lavras da Mangabeira.

 

O cruzamento das ruas Clóvis Beviláqua com Delmiro Gouveia. Outrora sediou o saudoso Cine Plaza.

 

Dia de feira em Missão Velha. Registro da década de 1960.

 

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, em Crato, na década de 1940.

 

Roberto Júnior, 22 anos, é idealizador do Cariri das Antigas e estudante de História na Universidade Regional do Cariri (URCA)
Sobre
Alana Maria Soares é Jornalista formada pela Universidade Federal do Ceará, campus Cariri. Foi repórter da Cariri Revista e Casa Cariri Revista entre os anos de 2015 e 2018, período onde também desenvolveu publicações especiais. Trabalhou com assessoria para a Mostra Científica do Cariri e Festival Expocrato 2018. É colaboradora no Blog de Altaneira. Atualmente é repórter de Cultura e Cotidiano para o Site Miséria, veículo de maior alcance da região do Cariri e terceiro do Ceará.