Alana Soares - Caderno Cultural
10 anos depois: por que Dr. Raiz foi um marco para a música caririense?
Junú e Dudé Casado lotaram o Cangaço Bar com show especial do álbum Dr. Raiz
date_range06/01/2019 às 16:05

​​Se você, caririense, esteve por aí entre as décadas de 1990 e 2000, provavelmente já ouviu falar da banda Dr. Raiz.

Pode ser que não saiba nenhuma de suas músicas ou os motivos desse nome ser recorrente quando se fala em música autoral na região do Cariri, mas deve sentir que é algo importante. Leia abaixo e entenda.

 

Recomendamos que leia ouvindo a playlist

 

Formada por Junú (Geraldo Jr), Dudé Casado, Evaldo Rodrigues, Antônio Queiroz, Lindemberg Monteiro e Júnior Casado, a banda nasceu em 1998, fruto de experimentações com diversos gêneros musicais, desde o rock ´n´ roll, MPB e mangue beat - este último no auge com Chico Science e Nação Zumbi.

Da bagagem cultural de cada um, foi-se firmando um estilo e, na medida em que se encontram enquanto músicos, a sonoridade da Dr. Raiz toma forma e definição: o violão e a guitarra ao lado da sanfona, dos pífanos, do pandeiro e da zabumba de couro, símbolo da banda.

Em 2005 lançam seu único álbum, o homônimo Dr Raiz, com 17 faixas.

"Aquele disco foi importante para a região porque fez a banda despontar pelo Brasil em apresentações e mostrar para todos que no quintal de nossa casa se fazia música e muito bem", reflete a artista Amélia Coelho, da prestigiada Zabumbeiros Cariri.

Para ela, Dr Raiz segue como ícone da música caririense assim como Luiz Fidelis, Abdoral Jamacaru, João do Crato, Luiz Carlos Salatiel e Tiago Araripe são.

"Era um grande espetáculo musical. Forte, impactante. Mostrava nosso cotidiano, nossa cultura e nossa história. A música e a performance de Junu no palco, interpretando Antônio Conselheiro, o penitente de Barbalha, o beato Zé Lourenço, o guerreiro do Reisado...", enumera pela lembrança.

Para o músico Carlos Corda, que acompanhou a trajetória, a banda foi um marco para a cena regional. "Quem teve a oportunidade de ver os shows com certeza ficou marcado. Se naquele momento tivessem conseguido atingir a grande massa do público, seria um estouro a nível nacional", comenta.

Dr. Raiz era rock, era maracatu, era reisado e ancestralidade carregado do sotaque típico do caririense.

Sem enfeites ou falsidade, o que apresentavam no palco sempre foi o que viveram. Daí vem autenticidade do trabalho e repercussão mesmo 10 anos após o fim da banda.

 

Sobre
Alana Maria Soares é Jornalista formada pela Universidade Federal do Ceará, campus Cariri. Foi repórter da Cariri Revista e Casa Cariri Revista entre os anos de 2015 e 2018, período onde também desenvolveu publicações especiais. Trabalhou com assessoria para a Mostra Científica do Cariri e Festival Expocrato 2018. É colaboradora no Blog de Altaneira. Atualmente é repórter de Cultura e Cotidiano para o Site Miséria, veículo de maior alcance da região do Cariri e terceiro do Ceará.