Alana Soares - Caderno Cultural
Passo largo, aposta alta: patrimônio de Juazeiro está nu aos olhos da lei
Chega a ser trágico, se não contraditório, que a mesma cidade que realiza a maior revitalização e resgate do centro histórico esteja tão desprotegida quando o assunto é preservação.
date_range12/12/2018 às 18:14

Homem nas ruínas do casarão. Historiados avaliam que sua fachada trazia arquitetura difícil de ser reproduzida (Foto adaptada do original de Igor Miranda)

Dez dias após a demolição do antigo casarão de Juvêncio Santana, a Secretaria de Cultura tomou a frente da briga pela manutenção do patrimônio histórico da cidade. 

Em entrevista exclusiva, Sanda Nancy, secretária executiva, afirmou que Juazeiro está em processo de registro junto ao Iphan como patrimônio cultural imaterial nacional a partir das Romarias e da fé em Padre Cícero. 

O pedido não é de hoje, mas de 2005 e pode ter um desfecho em breve.

A reportagem na íntegra do site Miséria pode ser lida aqui.

Nancy, inclusive, esteve na comissão que levou a Festa do Pau da Bandeira de Barbalha ao título de patrimônio imaterial brasileiro, prova de sua expertise para com os termos.

Se e quando o trâmite for concluído, esta seria a principal salvaguarda para incluir diversos bens materiais e imateriais de interesse público como bens associados. Estes, portanto, estariam protegidos.

Até lá, o patrimônio de Juazeiro está nu aos olhos da lei, enquanto a Secult e os próprios vereadores tentam entender a atual lei de tombamento. 

Chega a ser trágico, se não contraditório, que a mesma cidade que realiza a maior (e cara) revitalização e resgate do centro histórico esteja tão desprotegida quando o assunto é preservação.

Ao longo dos anos foram utilizadas apenas a emissão de Decretos para tombar alguns imóveis sem estar claro a relevância ou importância do bem para a história regional. 

 

E CASARÃO?

Ao que parece, o proprietário foi o mais esperto do jogo. Ele estava em sua lei.

Hoje a administração admite que não havia lei que o impedisse e nem mesmo como prever a demolição (mesmo que o imóvel estivesse a venda desde julho).

Mesmo com a multa de quase R$ 120 mil por descumprimento da negativa do alvará de demolição, é provável que o valor não faça cócegas no bolso. 

Em alguns meses devemos ver a ampliação do Hotel Padre Cícero, famoso pela estátua do Padim sentado, no lugar onde Juvêncio cresceu e fez história. 

 

(Foto adaptada do original de Igor Miranda)
Sobre
Alana Maria Soares é Jornalista formada pela UFC. Tem reportagens publicadas no Brasil de Fato e O POVO Cariri. Foi repórter da Cariri Revista. É repórter freelancer para o Miséria e colabora com o Blog de Altaneira. Fez assessoria do Festival Expocrato (2018 e 2019), Festival Foto Kariri e Mostra Científica do Cariri. FREELANCER: alanasoaresjor@gmail.com